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Educação a distância possibilita acesso ao ensino superior em Malhada de Pedras, no interior da Bahia
  • Educação a distância possibilita acesso ao ensino superior em Malhada de Pedras, no interior da Bahia

  • Postado em 08, jun 2016 por: Anderson Ferreira

Longe dos grandes centros urbanos, nem sempre foi fácil para moradores do interior fazer uma faculdade. Mas, com a popularização da internet, no Brasil, essa realidade tem mudado. É que o ensino a distância (EaD) possibilitou o acesso de quem, por diversos motivos, não tinha a oportunidade de ingressar no ensino superior. É o caso da professora de educação infantil, Lília Alves, 25, do município de Malhada de Pedras, na região sudoeste da Bahia, que estuda Letras e Geografia, pela Universidade Aberta do Brasil (UAB). O sistema foi criado pelo governo federal, em 2006, e oferece cursos de nível superior em universidades públicas, por meio da metodologia a distância, principalmente para professores da educação básica. “No início, eu pensava que, por ser uma faculdade a distância, eu não aprenderia tanto, mas os cursos têm me exigido bastante”, conta Lília, que é casada e optou pela EaD pela facilidade de acesso e para poder conciliar o trabalho, os estudos e os afazeres domésticos.

A professora Lília Alves estuda Letras e Geografia, pela Universidade Aberta do Brasil (UAB). Foto: Anderson Ferreira

A professora Lília Alves estuda Letras e Geografia, pela Universidade Aberta do Brasil (UAB). Foto: Anderson Ferreira

Para dar conta dos dois cursos, a professora estuda, em casa, de 10 a 12 horas por semana. Nas quartas e sextas-feiras, Lília assiste às aulas semipresenciais no polo da UAB, em Brumado, que fica a aproximadamente 45 km de onde mora, na zona rural de Malhada de Pedras. Segundo ela, os cursos têm contribuído bastante para a prática pedagógica. “Além de ampliar meus conhecimentos, tem me ajudado muito a desenvolver as atividades em sala de aula”, confirma.

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), só em 2014, quase 728 mil novos estudantes ingressaram em um curso superior a distância, um crescimento de 41,2% em relação ao ano anterior. O ingresso em cursos presenciais, no mesmo período, cresceu apenas 7%. O número de concluintes pelo modelo de ensino a distância, em 2014, foi de quase 190 mil alunos. Em 11 anos (2003-2014), o percentual de universitários da EaD subiu de 1% para 23%, conforme o último Censo da Educação Superior. (ver gráfico abaixo)

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A funcionária pública Marinei Guimarães, 37, casada e mãe de dois filhos, encontrou, no ensino a distância, a oportunidade de fazer o curso superior em Serviço Social, depois de 17 anos fora de uma sala de aula. “Poder ir à universidade uma vez por semana, organizar uma rotina de estudo na sua casa, no horário que fica melhor para você e que não vai atrapalhar a sua carga horária no trabalho, o seu dia a dia com seus filhos, com sua família é muito bom”, explica a estudante, que às terças-feiras tem aulas telepresenciais no polo da Universidade Norte do Paraná (Unopar), em Brumado, onde foram matriculados, somente neste primeiro semestre do ano, 619 novos estudantes. Criado em 2003, o polo oferece 12 opções de cursos de graduação, além de pós-graduação. Segundo a coordenadora da instituição, Selma Oliveira, desde que chegou à cidade, a média de idade dos alunos da Unopar tem mudado. “No início eram pessoas mais maduras que já trabalhavam na área e queriam se habilitar. Hoje, o público é bem variado, entre 18 e 40 anos”, afirma.

A instituição, com sede em Londrina, no Paraná, pertence à Rede Kroton Educacional S.A., uma das maiores organizações educacionais do mundo. Mais de 260 mil profissionais já se formaram, na modalidade a distância, pela Unopar, que possui mais de 450 polos de apoio espalhados por todos os estados brasileiros. Em Brumado, a média é de 60 formandos, por semestre.

Prestes a se formar, Marinei faz planos: quer prestar concurso público e se especializar nas áreas de saúde e educação. “Eu acredito que não foi um tempo perdido estar quatro anos na universidade a distância, pelo contrário, descobri que estava no curso certo e, agora, quero começar a trabalhar na minha área de formação”, comemora a estudante, que mora em Malhada de Pedras e está com a formatura marcada para agosto deste ano.

“A EaD foi a oportunidade da minha vida”, declara a funcionária pública Marinei Guimarães. Foto: Anderson Ferreira

“A EaD foi a oportunidade da minha vida”, declara a funcionária pública Marinei Guimarães. Foto: Anderson Ferreira

Segundo a Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), as diferenças entre o aluno que estuda a distância e o que frequenta uma universidade todos os dias são pequenas. “O aluno do presencial, na maioria das vezes, está acostumado a ser mais receptivo, assistir aula e anotar o conteúdo. Já os cursos a distância trazem uma riqueza de oportunidades e de situações de aprendizagem que motivam o aluno e ampliam seus horizontes, mas é preciso que esse aluno aceite o convite de vivenciar e participar efetivamente das diferentes situações propostas, todas elas acompanhadas de recursos fantásticos e motivadores”, explica a ABED. “O essencial para quem pretende fazer um curso a distância é ter uma meta, um projeto de vida e acreditar no seu potencial, é fazer acontecer, pesquisar e realizar descobertas que farão a diferença no perfil profissional”, completa.

Formado em 2012, o assistente social Nadiel Ferreira, 31, é egresso da educação a distância. “O fato de poder estudar a maior parte do tempo em casa pela internet foi a grande motivação para fazer o curso”, diz. Distante de universidades presenciais com mais opções de cursos, Nadiel viu também, na EaD, a possibilidade para se obter o nível superior em Serviço Social. Agora, com o diploma em mãos, ele trabalha no Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) de dois municípios baianos – Malhada de Pedras e Guajeru -, atendendo famílias de baixa renda beneficiadas pelos programas sociais do governo federal. “Comecei a trabalhar, nos dois lugares, em 2013, e, aqui, meu trabalho é fazer com que essas pessoas se mobilizem e consigam tomar decisões movidas pelo próprio esforço”, conta o assistente social.

O assistente social Nadiel Ferreira viu na EaD a possibilidade para se obter o nível superior e, hoje, tem dois empregos. Foto: Anderson Ferreira

O assistente social Nadiel Ferreira viu na EaD a possibilidade para se obter o nível superior e, hoje, tem dois empregos. Foto: Anderson Ferreira

 

EaD na formação de professores

Em Malhada de Pedras, dos 138 professores da rede municipal, incluindo diretores e coordenadores, 81 têm nível superior, a maioria deles pelo modelo de ensino a distância, segundo a Secretaria de Educação do município. Dos outros 57 docentes, mais da metade estão na faculdade. “Essa formação a distância foi muito importante para nós, porque, depois disso, melhoramos os índices de ensino e a prática pedagógica também tem melhorado a cada ano”, afirma a secretária Edna Pereira, que se mobiliza junto ao sindicato da categoria e a coordenadores pedagógicos para que os professores sem curso superior busquem uma formação universitária. “A educação a distância é o melhor caminho para esses profissionais, que já têm uma experiência prática e precisam de uma atualização com relação à área de conhecimento em que atuam. Além disso, a maioria deles não disponibiliza de muito tempo para ir a uma universidade todos os dias”, pontua a secretária. O Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado pelo Congresso Nacional, em 2014, estabelece que todos os professores da educação básica tenham formação específica de nível superior na área de atuação, até 2024.

Professora de educação infantil desde 2009, Sthela Lobo, 30, já se encaixa nesse perfil. Ela se formou, no ano passado, em Pedagogia, pela educação a distância e reconhece a importância do curso para a vida profissional. “O curso em EaD é, muitas vezes, criticado e pouco valorizado, mas, quando optei por cursá-lo, sabia que deveria me esforçar ainda mais para que fosse reconhecido na minha profissão”, declara a professora de uma escola da zona rural do município. “Aprendi muito com a licenciatura em Pedagogia e foi através disso que alcancei e ainda alcançarei grandes objetivos como professora”, comemora Sthela.

Formada em Pedagogia pela modalidade a distância, Sthela Lobo almeja novas conquista na profissão. Foto: Anderson Ferreira

Formada em Pedagogia pela modalidade a distância, Sthela Lobo almeja novas conquista na profissão. Foto: Reprodução/ Arquivo

De acordo com o Censo da Educação Superior 2014, 45% dos mais de 256 mil professores da educação básica, matriculados em um curso superior, optaram pela modalidade a distância. A rede privada obteve o maior número de matrículas, 89,6%.

No Brasil, a modalidade de educação a distância obteve respaldo legal pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, de 1996, que foi regulamentada em 2005 e determina o investimento do poder público no desenvolvimento desse modelo de ensino em todo o país.

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Natural de Malhada de Pedras, é jornalista pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e pós-graduado em Comunicação e Marketing em Redes Sociais, pela Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC).



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