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Em entrevista, padre fala sobre nomeação do novo bispo de Caetité
  • Em entrevista, padre fala sobre nomeação do novo bispo de Caetité

  • Postado em 30, out 2016 por: Anderson Ferreira
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Padre Eutrópio Aécio é membro do Colégio dos Consultores da diocese de Caetité.

O papa Francisco nomeou, na última quarta-feira (26), para bispo de Caetité, o monsenhor José Roberto Silva Carvalho, 56. Padre há 21 anos, monsenhor Carvalho é, atualmente, pároco na cidade de Poções, Bahia, na arquidiocese de Vitória da Conquista. A diocese de Caetité estava vacante desde agosto do ano passado, quando o então bispo, Dom Ricardo Brusati, tomou posse na diocese de Janaúba, em Minas Gerais, para onde foi transferido. Sobre a nomeação do novo bispo, o jornalista Anderson Ferreira conversou com o padre Eutrópio Aécio de Carvalho Souza, da paróquia Bom Jesus de Brumado. Padre Eutrópio é membro do Colégio dos Consultores da diocese de Caetité, que é formado por 9 padres. Na entrevista, entre outros assuntos, o religioso fala sobre o período de vacância, o processo de escolha do novo bispo e a expectativa para o novo episcopado. Confira a entrevista: 

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Anderson Ferreira – A nossa diocese ficou pouco mais de um ano sem bispo, após a transferência de Dom Ricardo. O que dizer desse período de vacância, que avaliação o senhor faz?

Padre Eutrópio Aécio – Para nós este tempo de vacância se tornou ainda mais uma oportunidade para compreendermos a unidade diocesana, a missão que também os padres tem de co-responsabilidade pastoral e administrativa. Concretamente, posso dizer, que o nosso Administrador, o Pe. Gilvan, procurou conduzir este tempo criando e cultivando ainda mais a “espiritualidade da comunhão”. Somos um colégio de 9 membros (Pe. Gilvan, Pe. Patrick, Pe. João Silva, Pe. Izaías, Pe. Alex, Pe. Osvaldino Barbosa, Pe. Waldech, Pe. José Carlos e Pe. Eutrópio). Colégio este constituído por Dom Ricardo desde 2014. Durante a vacância, houve uma divisão de tarefas entre nós. Foram criadas 3 comissões (Pastoral, Administrativa-Patrimonial e a de Atenção ao Presbitério),  onde os padres que compunham cada uma delas se empenharam, num verdadeiro espírito de colegialidade, naquelas responsabilidades a nós confiadas pelo Administrador. Não houve, portanto, nada que dificultasse ou desviasse o rumo do nosso caminhar enquanto Igreja. Aliás, podemos dizer até mais: a vacância permitiu que se olhasse e enfrentasse ainda com mais coragem, discernimento e empenho os desafios que temos. Neste período não faltaram as reuniões, assembleias e encontros diocesanos que permitiram sempre mais sentirmos uma só Igreja, apesar das distâncias geográficas. Avalio que a vacância, mesmo como tempo de espera e até de certa “angústia” pela demora do novo bispo, não impediu que nossa diocese amadurecesse na sua consciência eclesial e na sua prática evangelizadora e pastoral.

Como a diocese de Caetité recebeu a notícia da nomeação do novo bispo?

A notícia oficial foi primeiramente comunicada ao Administrador Diocesano, alguns dias antes da divulgação. O Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giovanni d’Aniello, foi quem comunicou. Nós, do Colégio dos Consultores, fomos então convocados pelo Administrador para estarmos todos em Caetité, no dia 26 de outubro, logo no início da manhã. Somente ali é que tivemos conhecimento do nome escolhido e em seguida fomos celebrar a Eucaristia na Catedral, em ação de graças pela notícia que ali também foi comunicada para a assembleia. Concomitantemente, em Poções, o Arcebispo Metropolitano, Dom Luiz Gonzaga Pepeu, juntamente com outros bispos e padres e o Mons. Carvalho celebraram uma missa e ali também foi lida uma carta da parte da Nunciatura que comunicava oficialmente ao arcebispo de Vitória da Conquista que o Mons. Roberto havia sido nomeado bispo da diocese vacante de Caetité. A notícia então se tornava pública para à arquidiocese de onde o eleito é membro do presbitério. Com a divulgação oficial um clima de alegria espalhava pela Diocese. Na Catedral os sinos repicaram e houve uma bateria de fogos depois que o Pe. Gilvan anunciou que já tínhamos um novo bispo. Nas Igrejas Matrizes das nossas paróquias, ao meio-dia, também os sinos repicaram e fogos anunciavam a alegre notícia. Rapidamente a notícia se espalhou pelas redes sociais e pude perceber o quanto as pessoas manifestavam a acolhida ao Mons. Carvalho. Ele mesmo recebeu vários telefonemas e naquela manhã daria a sua primeira entrevista à Rádio Educadora Sant’Ana de Caetité.

 

Mons. Carvalho foi eleito bispo de Caetité na quarta-feira, 26 de outubro.

Mons. Carvalho foi eleito bispo de Caetité na quarta-feira, 26 de outubro.

Sobre a nomeação de um bispo. Como é esse processo? O que é levado em conta na escolha de um bispo?

Este processo é realizado pela Nunciatura Apostólica e envolve uma série de consultas a outros bispos, padres e leigos sobre nomes que a Nunciatura tem como indicados ao ministério episcopal. Os critérios para escolha baseiam-se, principalmente, na comprovada dedicação ao ministério pastoral, até então exercido como padre. É claro que também a capacidade administrativa e dotes humanos são verificados, como prudência, capacidade de lidar e gerir conflitos, capacidade de escuta e de diálogo, maturidade e outros. Um homem que se distinga pelo cultivo espiritual, pela capacidade pastoral, intelectual, homem da Igreja, pastor e rico em humanidade… eis aí alguns requisitos. Papa Francisco tem insistido muito que os bispos não devam se considerar “príncipes”, mas servidores, pastores no meio do povo, a serviço do Povo de Deus, em especial, dos mais pobres e sofredores. Como falei, há este processo de consulta e busca de informações empreendido pela Nunciatura (com total sigilo) e depois ao menos 3 nomes são enviados para a Congregação para os Bispos, um organismo ligado diretamente ao Vaticano. Lá, em união com o Papa, é feita a escolha nesta lista tríplice. O candidato é então comunicado pelo Núncio no Brasil de que seu nome foi escolhido para ser bispo da diocese vacante e o padre pode aceitar ou não esta nomeação. Portanto o escolhido é comunicado com certa antecedência, pois pode não aceitar a nomeação. Todos esses procedimentos são feitos no absoluto sigilo, pois a notícia somente será divulgada na data escolhida para tal. É claro que a Nunciatura, uma vez que o candidato escolhido responder positivamente, tomará as providências no sentido de comunicar ao bispo do eleito – no caso, em questão, Dom Luiz Gonzaga Pepeu, arcebispo de Vitória da Conquista, onde o Mons. Carvalho é padre, e também ao Administrador Diocesano da diocese vacante e para a qual o novo bispo foi escolhido, ou seja, o Pe. Gilvan foi comunicado pelos menos há alguns dias atrás.

O senhor já conhecia Mons. Carvalho? E o que pode nos dizer sobre ele?

Conheci o Mons. Carvalho quando cursei Filosofia em Vitória da Conquista. Era o ano de 2000 e fiquei residindo no Seminário Diocesano Nossa Senhora das Vitórias até o ano de 2002, onde o monsenhor era o Reitor. Posso dizer que sempre vi a sua preocupação e cuidado com o que lhe fora entregue aos cuidados. Exigente, organizado e atento ao que acontece ao redor. É claro que a relação reitor e formando tem suas especificidades, mas sempre vi o então Pe. Roberto como alguém que estava aberto ao diálogo, também capaz de escutar e de se interessar pelo que o outro expressava. Posso dizer também que o conheci na sua atuação pastoral, pois realizei trabalhos de acompanhamento pastoral na paróquia de Barra do Choça, na Bahia,  onde o então Pe. Roberto era pároco. Vi o apreço que o povo tinha pela sua pessoa e, mais uma vez, o seu cuidado e zelo pastoral, não obstante suas outras obrigações como Reitor do Seminário. Mesmo depois da minha saída de Conquista, indo cursar a Teologia em Belo Horizonte, mantive algum contato com o Mons. Carvalho, assim demonstrando que permaneceu um elo de amizade e respeito.

Mons. Carvalho terá Caetité como a sua primeira diocese e ele vem de uma realidade, talvez, muito parecida com a nossa, já que é da arquidiocese de Vitória da Conquista, nossa vizinha. Isso, de certa forma, ajuda na missão que a ele foi confiada?

Penso que o fato de Mons. Carvalho vir de uma realidade próxima favorece, é claro, uma mais fácil e rápida adaptação à nossa realidade diocesana. Na mensagem que a CNBB, através do seu Secretário-Geral, Dom Leonardo Steiner, enviou ao Monsenhor Carvalho no dia do anúncio da nomeação, se coloca exatamente a sua experiência como pastor aqui no interior, na nossa região, e também a sua experiência como formador no Seminário como garantias de que ele possa exercer bem e com competência a nova missão para o qual é enviado agora. Algo belo que o Monsenhor nos falou, quando um dia depois da notícia da sua nomeação, fomos até Poções, é que ele “aprenderia a ser bispo conosco” e que “precisava da nossa ajuda”, seu “primeiro desejo é conhecer, ir ao encontro das pessoas e da realidade para a qual está sendo enviado.”

O que acontece agora nesse intervalo de três meses até a posse de Mons. Carvalho?

O Mons. Carvalho será ordenado bispo e tomará posse na sua diocese no dia 29 de janeiro, numa solene concelebração eucarística, em Caetité.  Até aquele momento, o Administrador Diocesano continua seu ministério. Decisões, encaminhamentos necessários podem e devem ser executados pelo Administrador. Certo é que neste tempo teremos a preocupação e atenção também voltadas para o momento da Ordenação e Acolhida do nosso novo bispo. Interessante notar que até mesmo na Oração Eucarística, na Missa, não mencionamos ainda o nome do bispo eleito. Continuamos lembrando do papa e dos outros bispos. É claro que nas preces dos fiéis, nos momentos de oração dos encontros, dos grupos e movimentos já rezamos e recomenda-se colocar nas intenções o nosso novo bispo. O Mons. Carvalho não virá para diocese antes da ordenação e posse, até porque ele continua como pároco de Poções e precisa também encaminhar lá a transição da paróquia para o padre que lhe sucederá.

Qual a sua expectativa para o episcopado de Mons. Carvalho?

O que espero, ou melhor, o que esperamos com o Mons. Carvalho é que, sempre mais, possamos crescer como Igreja discípula missionária. Que o bispo, os padres, as religiosas e os fiéis leigos sejamos sempre mais um sinal de “unidade“ neste mundo marcado por tanta divisão e hostilidades. O bispo tem a missão de ser o primeiro missionário e animador da vida pastoral e evangelizadora na sua Igreja diocesana. Esperamos, assim, que a chegada de Mons. Carvalho nos fortaleça ainda mais na caminhada bela e rica que esta diocese centenária já vem fazendo. Ficamos felizes com aquilo que disse Dom Leonardo Steiner, secretário geral da CNBB, na mensagem de saudação ao Mons. Carvalho: “A Diocese para a qual o Santo Padre o envia é uma preciosidade no Centro-sul do Estado da Bahia.[…] mais de meio milhão de pessoas aguardam sua presença e seu cuidado”. Esperamos que Mons. Carvalho seja pastor que nos motive, nos impulsione e viva conosco os desafios de ser “igreja nessas terras sagradas do sertão”. Ele já nos acenou, na sua mensagem ao Povo de Deus presente aqui na diocese, algo belo ao escolher como seu lema episcopal: “Servi ao Senhor com alegria” (Sl 100) e pontuando que “a missão do bispo é levar a alegria do Senhor ao seu rebanho”. Esperemos então que possamos com o Mons. Carvalho ser sinais de uma Igreja alegre e de esperança para todo o nosso povo sertanejo. ***

O site Nova Esperança no Ar agradece ao padre Eutrópio Aécio pela colaboração com esta entrevista.

 

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Natural de Malhada de Pedras, é jornalista pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e pós-graduado em Comunicação e Marketing em Redes Sociais, pela Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC).



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