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Malhada de Pedras: Após 24 anos, congregação de freiras vai deixar a cidade
  • Malhada de Pedras: Após 24 anos, congregação de freiras vai deixar a cidade

  • Postado em 29, jul 2014 por: Anderson Ferreira
sparoquial

Casa Paroquial de Malhada de Pedras construída em 1990. Aqui moram as Irmãs Beneditinas (2º andar) e são realizados encontros e reuniões da paróquia (1º andar).

A congregação de religiosas Irmãs Beneditinas Missionárias de Tutzing vai deixar a paróquia de Malhada de Pedras no início do ano que vem, depois de 24 anos na cidade. A decisão ainda não anunciada, oficialmente, à comunidade católica.

“Essa não é uma decisão das irmãs, isso faz parte da nossa missão e do nosso carisma. Nós vivemos em uma comunidade de inserção, ajudando o padre e o povo a trabalhar. E quando a comunidade já tem um padre e sabe caminhar, nós partimos para outra missão”, explica a superiora da congregação em Malhada de Pedras, irmã Marineide Cavalcante, que está na cidade desde 2009.

As Irmãs Beneditinas chegaram ao município em 15 de março de 1990, graças ao padre Ladislau Klener, então pároco, que morreu quatro anos depois. As religiosas Aparecida Carvalho, Margarida Pontes e Aparecida Alves, falecida em 1996, foram às primeiras moradoras da casa. Desde a chegada da congregação, 24 freiras moraram na cidade, incluindo as atuais, e sem contar as noviças, que passaram alguns meses de experiência com as religiosas.

Por dois períodos vivendo na casa, de 1992 a 1995 e de 2005 a 2010, irmã Juraci Nunes sabe bem o que contar sobre a experiência das religiosas na cidade. Quando chegou aqui, a beneditina passou a acompanhar os trabalhos da pastoral da catequese. “Nós tínhamos um grupinho de catequistas muito bom, que foi crescendo muito. Na época, juntando os da sede e da zona rural, eram mais de 70 catequistas”, diz ela. Após deixar a cidade pela primeira vez, a paróquia já tinha 36 comunidades rurais formadas, as quais recebiam e ainda recebem à assistência das irmãs.

Na paróquia, além de acompanhar as comunidades rurais, as Beneditinas dão assistência a todas as pastorais, formação aos coroinhas e trabalham com projetos sociais, como a construção de cisternas na zonal rural.

“Não quero dizer que a gente foi importante, mas, nesse tempo em que estivemos aqui, houve um crescimento, porque nós fizemos tudo o que podíamos fazer. É tanto que, agora, podemos ir tranquilas para outra comunidade, pois, aqui, já caminham sozinhos”, considera irmã Juraci, que visitou a paróquia uma semana atrás.

A partir de fevereiro do ano que vem, as Irmãs Beneditinas vão se mudar para a paróquia de Piripá, que também pertence à Diocese de Caetité. “Que continuem em frente com tudo aquilo que aprenderam com as irmãs, sobretudo os ensinamentos das primeiras irmãs. Que levem à frente a missão, porque a missão que nós iniciamos aqui não é nossa, mas é do povo”, deseja irmã Marineide a toda a comunidade.

 

Irmã Juraci Nunes e irmã Marineide Cavalcante ao lado do padre András Amrhein, fundador da congregação.

Irmã Juraci Nunes e irmã Marineide Cavalcante ao lado do padre András Amrhein, fundador da congregação.

Mudança

Para o padre Reinaldo de Oliveira, pároco da cidade, a saída das Beneditinas representa uma perda para a missão paroquial, já que as pastorais, movimentos e comunidades não terão mais a assistência delas. No entanto, o sacerdote ressalta: “Quero acreditar que o tempo de missão que as irmãs realizaram aqui tenha sido suficiente para que os fiéis tenham aprendido a caminhar sozinhos, pois, no momento, a nossa diocese passa por momentos difíceis e não teremos, de imediato, disponibilidade de outras religiosas para fixarem residência aqui, ou mesmo um sacerdote exclusivo, mediante a necessidade de tantas outras paróquias”.

De acordo com o pároco, a presença das religiosas foi fundamental para o desenvolvimento da comunidade. “Agora é tempo de deixar germinar as sementes que as irmãs plantaram na terra boa do coração de todos”, conclui.

 

A congregação

A congregação das Irmãs Beneditinas Missionárias de Tutzing está presente em 17 países de quatro continentes, com exceção apenas da Oceania. Em todo o mundo são 136 casas. A Casa Mãe das religiosas fica em Tutzing, na Alemanha. No Brasil, as freiras chegaram em 1903, na cidade de Olinda, Pernambuco. Na Bahia, a única casa da congregação fica em Malhada de Pedras.

O padre suíço Andréas Amrhein foi quem, em 1885, fundou a congregação, que segue a regra de São Bento. Além da evangelização em paróquias e comunidades, as missionárias dedicam-se à educação (ensino fundamental, médio e universitário), serviços de saúde (hospitais) e assistência social (centros sociais).

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Natural de Malhada de Pedras, é jornalista pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e pós-graduado em Comunicação e Marketing em Redes Sociais, pela Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC).



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