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Moradores denunciam situação do lixão em Malhada de Pedras
  • Moradores denunciam situação do lixão em Malhada de Pedras

  • Postado em 29, ago 2017 por: Anderson Ferreira

Moradores da fazenda Capinal Salvador, a 5 km da sede do município de Malhada de Pedras, têm sofrido com os problemas causados por um lixão a céu aberto, que fica a aproximadamente 800 metros da localidade. Segundo eles, o problema é antigo. “Tem mais de 20 anos que jogam lixo aqui. Eles mudam o local, mas é sempre por essa região”, conta o morador Ronaldo Alves, 37. Nove vezes por semana, um caminhão da prefeitura despeja, no local, todo o lixo coletado na área urbana do município. Rejeitos e até resíduos, que poderiam ser reciclados, são jogados sem nenhuma separação, já que a cidade ainda não possui coleta seletiva. No local, sempre é possível encontrar animais que se alimentam dos materiais descartados. O acúmulo de lixo provoca também mau cheiro e representa um perigo à saúde dos moradores.

O local onde é despejado o lixo fica a 800 metros da fazenda Capinal Salvador. Foto: Ronaldo Alves.

Sem um carro apropriado para o transporte do lixo, tudo é transportado numa caçamba descoberta. “Não tem lona e por isso parte do lixo cai pela estrada e os animais acabam comendo, além de poluir o meio ambiente”, denuncia Ronaldo. Mais de 30 famílias moram no entorno do lixão, mas os prejuízos têm afetado outras localidades próximas, como Lagoa do Barro, Capinal 1, Lagoa do Morro e Lagoa do Rosário.

Depois de despejado, muitas vezes, o lixo é queimado e a fumaça também tem prejudicado a saúde de quem mora nas proximidades, principalmente de crianças. Os moradores, por diversas vezes, pediram uma solução às autoridades públicas do município, mas sem sucesso. “Já fizemos abaixo-assinado, fomos à câmara de vereadores e já falamos com a prefeita”, diz Ronaldo.

A fumaça da queima do lixo tem prejudicado a saúde de quem mora nas proximidades. Foto: Ronaldo Alves.

Para a professora de biologia do Colégio Estadual de Malhada de Pedras (CEMP), Núbia Canguçu, os impactos gerados pelo lixão são graves e dimensionais. “Os resíduos lançados a céu aberto acarretam problemas de saúde pública, como a proliferação de vetores de doenças, a geração de maus odores e, principalmente, a poluição do solo, do ar e das águas superficiais e subterrâneas, através do chorume, que é um líquido de cor preta, mal cheiroso e de elevado potencial poluidor, produzido pela decomposição da matéria orgânica contida no lixo”, explica a professora.

Segundo ela, além de iniciativas do poder público, é preciso reduzir a quantidade de lixo produzido pela população, e a mudança de hábitos simples do dia-a-dia pode contribuir para isso. “Temos que nos ‘reciclar’ para que possamos mudar de comportamento, de atitudes em relação ao consumo desmedido de produtos desnecessários, temos que aprender a não produzir tanto lixo, a utilizar alimentos naturais, pois os produtos industrializados geram embalagens que são descartadas e levam anos para se decompor”, argumenta.

O problema dos lixões é uma realidade de grande parte dos municípios brasileiros. Nem mesmo a lei conseguiu acabar com eles. A lei federal da Política Nacional dos Resíduos Sólidos, sancionada em 2010, deu prazo até 2014 para que as prefeituras mandassem o lixo produzido nas cidades para aterros sanitários. Três anos depois, porém, a situação ainda está longe do ideal. Agora, um novo projeto de lei, aprovado pelo Senado em 2015, prorrogou o prazo para o fechamento dos lixões. Os municípios, como Malhada de Pedras, com população inferior a 50 mil habitantes, têm até 2021 para cumprir a determinação legal.

Mas os moradores da fazenda Capinal Salvador e do entorno têm pressa e esperam uma solução do poder público o quanto antes. O secretário municipal de agricultura e meio ambiente, Maécio Roberto Silva, disse que, nos próximos dias, fará uma nova visita ao local para fazer um diagnóstico e apresentá-lo à prefeita, a fim de que sejam tomadas medidas imediatas e também se estabeleçam ações de médio e longo prazo para resolverem o problema. “O município já estuda fazer um aterro controlado em parceria com o comércio local, porque a prefeitura não tem condições de fazer isso sozinha. Com esse aterro, será levado para o local apenas aquilo que não pode ser reciclado, como restos de alimentos, papel higiênico e outras coisas mais. E lá no lixão a gente quer dispor de uma máquina de escavação para já fazer o aterro e não deixar tudo a céu aberto”, diz o secretário.

Animais se alimentam do lixo que é jogado no local. Foto: Ronaldo Alves.

O representante da pasta afirmou, ainda, que estuda um local desabitado para o aterro sanitário. Sobre o carro que transporta o lixo, o secretário disse que a prefeitura está providenciando uma lona para cobrir a caçamba até a administração municipal conseguir comprar ou alugar um caminhão compactador. “Quero o mais rápido possível dar uma resposta para toda a comunidade malhada-pedrense, mas principalmente para a comunidade de Capinal Salvador que é a mais atingida por esse problema”, promete o secretário.

Enquanto a solução não chega, os moradores da fazenda Capinal Salvador e de outras localidades têm de conviver diariamente com os riscos provocados pelo lixão.

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Natural de Malhada de Pedras, é jornalista pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e pós-graduado em Comunicação e Marketing em Redes Sociais, pela Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC).



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